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Conteúdo Teórico

Resumos e explicações dos principais conceitos de Biofísica organizados por capítulos.

01

Unidades, Grandezas e Análise Dimensional

🎬 Material fundamental para toda a disciplina

1.1 Velocidade da Luz

Quando observamos e medimos fenómenos da nossa realidade, tentamos atribuir números às quantidades físicas com a maior precisão possível. Por exemplo, queremos determinar a velocidade da luz, que pode ser calculada dividindo a distância percorrida por um raio de luz pelo tempo que este demora a percorrer:

velocidade da luz = distância / tempo

Em 1983 a General Conference on Weights and Measures definiu a velocidade da luz como sendo:

c = 299 792 458 metros/segundo

Este número foi escolhido para corresponder à medição da velocidade da luz feita com maior precisão, dentro da incerteza experimental.

1.2 Sistema Internacional (SI)

As três quantidades - tempo, distância e velocidade da luz - estão diretamente interligadas. Que quantidades devemos considerar como "bases" e quais são as quantidades "derivadas"?

A resposta a esta questão é dada por convenção. O sistema básico de unidades usado em ciência e tecnologia nos dias de hoje é o Système International (SI). Consiste em sete quantidades base e as suas unidades correspondentes:

Quantidade Base Unidade Base
Distância metro (m)
Massa quilograma (kg)
Tempo segundo (s)
Corrente eléctrica ampere (A)
Temperatura kelvin (K)
Quantidade de substância mole (mol)
Intensidade luminosa candela (cd)

1.3 O Relógio Atómico e a Definição de Segundo

Na obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, Isaac Newton distinguiu o tempo para uma determinada duração e o tempo absoluto:

"Absolute true and mathematical time, of itself and from its own nature, flows equably without relation to anything external..."

O desenvolvimento de relógios baseados em oscilações atómicas permitiu medidas de tempo com precisão na ordem de 1 parte em 1014, correspondendo a erros de menos de um microssegundo por ano.

Em 1967, o Comité Internacional de Pesos e Medidas redefiniu o segundo:

Definição: Um segundo é a duração de 9 192 631 770 períodos de radiação correspondentes à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.

1.4 O Metro

O metro foi originalmente definido como 1/10 000 000 do arco que tem origem no Equador, segue ao longo do meridiano até ao Polo Norte, passando por Paris.

Em 1983, a 17ª Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) redefiniu o metro:

Definição: O metro é a distância percorrida pela luz no vácuo durante o intervalo de tempo de 1/299 792 458 segundos.
📌 Exemplo: O Ano-Luz

Problema: O ano-luz é a distância que a luz percorre num ano. Quantos metros percorre a luz num ano?

Solução: Usando a relação distância = (velocidade da luz) × (tempo), precisamos primeiro converter um ano para segundos:

1 ano = 365,25 dias × 24 horas × 60 minutos × 60 segundos = 31 557 600 s

Portanto, a distância percorrida num ano é:

1 ano-luz = 299 792 458 m/s × 31 557 600 s = 9,461 × 1015 m

💡 A estrela mais próxima, Alpha Centauri, está a aproximadamente 3 anos-luz de distância.

1.5 A Massa

A unidade de massa, o quilograma (kg), foi durante muito tempo a única unidade base no SI definida em termos de um artefacto físico: o "Protótipo Internacional do Quilograma Padrão".

O protótipo foi feito em 1879 por George Matthey sob a forma de um cilindro de 39 mm de altura e 39 mm de diâmetro, composto por uma liga de 90% de platina e 10% de irídio. É mantido no Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) em Sèvres, França.

📌 Exemplo: O Protótipo Internacional do Quilograma

Problema: Determine a forma e dimensões ideais do protótipo do quilograma de platina-irídio, de modo a ter a menor área de superfície para um dado volume.

Dados:

  • Densidade da liga: ρ = 21,56 g/cm³
  • Volume necessário: V ≈ 1000g / 22g/cm³ = 46,38 cm³

Solução: Para minimizar a corrosão, a forma deve ter a menor área de superfície possível. Uma esfera seria ideal, mas cilindros são mais práticos (não rolam).

Para um cilindro com menor área de superfície, verifica-se que o raio deve ser metade da altura: r = h/2

Para o quilograma padrão, o raio calculado é aproximadamente r ≈ 1,95 cm e a altura h ≈ 3,9 cm.

Definição Alternativa de Massa

Devido aos problemas associados a um protótipo físico (pode ser danificado, ganha átomos do ambiente a uma taxa de ~1 μg/ano), várias aproximações alternativas estão a ser exploradas, incluindo definir o kg como um número fixo de átomos, relacionando-o com a massa atómica.

1.6 Dimensões de Quantidades Comuns

Muitas quantidades físicas são derivadas de quantidades base a partir de relações algébricas. A dimensão da quantidade derivada é escrita como uma potência da dimensão da quantidade base.

Exemplos:

  • Velocidade: dim. = D·T-1 (onde D = distância, T = tempo)
  • Força: dim. = M·D·T-2 (onde M = massa)
  • Energia Cinética: dim. = M·D2·T-2
  • Trabalho: dim. = M·D2·T-2

Note que trabalho e energia cinética têm as mesmas dimensões.

Quantidade Dimensão Unidade SI
Ângulo sem dimensão radianos
Área
Volume
Frequência T-1 Hz (s-1)
Velocidade D·T-1 m·s-1
Aceleração D·T-2 m·s-2
Densidade M·D-3 kg·m-3
Força M·D·T-2 N (kg·m·s-2)
Trabalho, Energia M·D²·T-2 J (kg·m²·s-2)
Potência M·D²·T-3 W (kg·m²·s-3)
Pressão M·D-1·T-2 Pa (kg·m-1·s-2)

1.7 Análise Dimensional

Existem muitos fenómenos na natureza que podem ser explicados através de simples relações entre os fenómenos observados.

📌 Exemplo: Período de um Pêndulo

Problema: Consideremos um pêndulo simples constituído por uma massa suspensa de um ponto fixo por um fio. Seja Tperíodo o tempo que o pêndulo demora a completar um ciclo completo. Que quantidades definem o período?

Análise: As quantidades relevantes são:

Quantidade Símbolo Dimensão
Período Tperíodo T
Comprimento do fio l L
Massa m M
Aceleração gravítica g L·T-2
Amplitude angular θ₀ sem dimensão

Solução:

  1. A massa não pode entrar na relação, porque não há outra quantidade com dimensão de massa para a cancelar.
  2. Para obter uma quantidade com dimensão de tempo, consideramos l/g:

    dim[l/g] = L / (L·T-2) = T²

  3. Portanto, a raiz quadrada de l/g tem dimensão de tempo.
Fórmula do Período de um Pêndulo:

Tperíodo = 2π √(l/g)

(válida para amplitudes pequenas)

💡 Esta é uma demonstração do poder da análise dimensional: conseguimos deduzir a forma da fórmula sem resolver equações diferenciais!

02

Cinemática Unidimensional

🎬 Descrição matemática do movimento

2.1 Introdução à Cinemática

A cinemática é a descrição matemática do movimento. O termo é derivado da palavra grega kinema, que significa movimento.

Para quantificar o movimento, um sistema de coordenadas matemáticas, chamado de sistema de referência, é usado para descrever espaço e tempo. Uma vez escolhido um sistema de referência, podemos introduzir os conceitos físicos de posição, velocidade e aceleração de forma matematicamente precisa.

Sistema de Coordenadas Cartesianas (1D):

Um eixo com vetor unitário î apontando no sentido positivo do eixo das abcissas.

2.2 Posição, Intervalo de Tempo e Deslocamento

Posição

Considere um objeto movendo-se em uma dimensão. Denotamos a coordenada de posição do centro de massa do objeto em relação à escolha de origem por x(t). A coordenada de posição é uma função do tempo e pode ser positiva, zero ou negativa, dependendo da localização do objeto.

A posição tem direção e magnitude, e, portanto, é um vetor:

x(t) = x(t) î

Denotamos a posição na origem em t = 0 por x0 = x(t = 0).

💡 A unidade SI para a posição é o metro [m]

Intervalo de Tempo

Consideremos um intervalo de tempo fechado [t1, t2]. Caracterizamos este intervalo de tempo pela diferença dos limites desse intervalo:

Δt = t2 − t1

💡 A unidade SI para intervalos de tempo é o segundo [s]

Deslocamento

Uma mudança da massa no sistema de coordenadas entre os tempos t1 e t2 é dada por:

Δx = (x(t2) − x(t1)) î = Δx(t) î

O deslocamento é uma quantidade vetorial: o vetor resultante da diferença entre as posições.

⚠️ Importante: O deslocamento é diferente da distância percorrida! O deslocamento considera apenas os pontos inicial e final, enquanto a distância considera todo o percurso.

2.3 Velocidade

Ao descrever o movimento de objetos, palavras como "rapidez" e "velocidade" são usadas em linguagem comum. No entanto, ao introduzir uma descrição matemática do movimento, precisamos definir estes termos com precisão.

O nosso procedimento será definir quantidades médias para intervalos de tempo finitos e depois examinar o que acontece no limite, quando o intervalo de tempo se torna infinitamente pequeno.

Velocidade Média

A componente da velocidade média, vx, para um intervalo de tempo Δt é definida como o deslocamento Δx dividido pelo intervalo de tempo Δt:

vx = Δx / Δt

💡 A unidade SI para a velocidade é o metro por segundo [m·s−1]

Velocidade Instantânea

Considere um corpo movendo-se numa direção, com coordenada de posição x(t) e posição inicial x0 no tempo t = 0. Para o intervalo [t, t + Δt], a velocidade média é:

vx = Δx/Δt = [x(t + Δt) − x(t)] / Δt

À medida que reduzimos o tamanho do intervalo de tempo, a inclinação da linha que liga os pontos aproxima-se da inclinação da linha tangente à curva x(t) no tempo t.

Definição de Velocidade Instantânea:

vx(t) = limΔt→0 (Δx/Δt) = dx/dt

A velocidade instantânea é a derivada da posição em relação ao tempo

2.4 Aceleração

A aceleração é a quantidade que mede uma mudança de velocidade num determinado intervalo de tempo. Aplicamos o mesmo procedimento físico e matemático usado para definir a velocidade.

Aceleração Média

Suponhamos que durante um intervalo de tempo Δt um corpo sofre uma mudança de velocidade:

Δv = v(t + Δt) − v(t)

A aceleração média é então:

ax = Δvx / Δt

💡 A unidade SI para a aceleração é o metro por segundo ao quadrado [m·s−2]

Aceleração Instantânea

Num gráfico da componente x da velocidade vs. tempo, a aceleração média para um intervalo Δt é a inclinação da linha reta conectando os dois pontos (t, vx(t)) e (t + Δt, vx(t + Δt)).

Definição de Aceleração Instantânea:

ax(t) = limΔt→0 (Δvx/Δt) = dvx/dt

A aceleração instantânea é a derivada da velocidade em relação ao tempo

Como a velocidade é a derivada da posição em relação ao tempo, a componente x da aceleração é a segunda derivada da função de posição:

ax = dvx/dt = d²x/dt²

2.5 Resumo das Relações Cinemáticas

Quantidade Símbolo Definição Unidade SI
Posição x(t) m
Velocidade vx(t) dx/dt m·s−1
Aceleração ax(t) dvx/dt = d²x/dt² m·s−2
Interpretação Gráfica:
  • A velocidade é o declive da tangente no gráfico x(t)
  • A aceleração é o declive da tangente no gráfico vx(t)

2.6 Movimento Uniformemente Variado (MUV)

O caso mais comum e importante na prática é quando a aceleração instantânea ax é constante no tempo. Neste cenário, podemos integrar a aceleração para obter as expressões para a velocidade e a posição do objeto.

Equações do MUV

Para uma aceleração constante ax = a, e considerando x0 e v0 como posição e velocidade iniciais (t = 0):

1. Velocidade em função do Tempo:

vx(t) = v0 + a·t

2. Posição em função do Tempo:

x(t) = x0 + v0·t + ½·a·t²

3. Equação de Torricelli:

vx² = v0² + 2·a·Δx

(relaciona velocidade e deslocamento sem depender do tempo)

📌 Exemplo: Queda Livre

Problema: Um objeto é largado do repouso de uma altura de 45 m. Determine: (a) o tempo de queda e (b) a velocidade ao atingir o solo.

Dados:

  • Posição inicial: x0 = 45 m (considerando o solo como origem)
  • Velocidade inicial: v0 = 0 (largado do repouso)
  • Aceleração: a = −g = −9,8 m·s−2 (sentido negativo = para baixo)
  • Posição final: x = 0 (solo)

Solução:

(a) Usando x(t) = x0 + v0·t + ½·a·t²:

0 = 45 + 0 + ½·(−9,8)·t²

t² = 45/4,9 ≈ 9,18

t ≈ 3,03 s

(b) Usando vx(t) = v0 + a·t:

vx = 0 + (−9,8)·(3,03)

vx ≈ −29,7 m·s−1

💡 O sinal negativo indica que a velocidade é no sentido negativo (para baixo).

2.7 Casos Especiais de Movimento

Tipo de Movimento Aceleração Velocidade Posição
Repouso a = 0 v = 0 x = x0
MRU
Movimento Retilíneo Uniforme
a = 0 v = constante x = x0 + v·t
MRUV
Movimento Retilíneo Uniformemente Variado
a = constante v = v0 + a·t x = x0 + v0·t + ½·a·t²
Queda Livre
Caso especial do MRUV
a = −g ≈ −9,8 m·s−2 v = v0 − g·t x = x0 + v0·t − ½·g·t²

2.8 Análise Gráfica do Movimento

A interpretação gráfica é fundamental para compreender o movimento. Existem relações importantes entre os gráficos de posição, velocidade e aceleração:

Gráfico x(t)
  • Declive = velocidade instantânea
  • Horizontal → repouso
  • Reta inclinada → MRU
  • Parábola → MRUV
Gráfico v(t)
  • Declive = aceleração instantânea
  • Área sob a curva = deslocamento
  • Horizontal → velocidade constante
  • Reta inclinada → aceleração constante
Gráfico a(t)
  • Área sob a curva = variação de velocidade
  • Horizontal em zero → MRU
  • Horizontal não-zero → MRUV
💡 Dica Importante:

Derivar "desce" na hierarquia (x → v → a), integrar "sobe" (a → v → x). A área sob uma curva corresponde à integral, o declive corresponde à derivada.

03

Cinemática Bidimensional

🎬 Movimento no plano e projéteis

3.1 Introdução à Descrição Vetorial do Movimento em Duas Dimensões

Até agora, introduzimos os conceitos de cinemática para descrever o movimento numa dimensão; no entanto, vivemos num universo multidimensional. Para explorar e descrever o movimento neste universo, começamos por examinar exemplos de movimento bidimensional, dos quais existem muitos: a órbita de planetas em torno de uma estrela em órbitas elípticas ou um projétil movendo-se sob a ação da gravidade uniforme são dois exemplos comuns.

Agora iremos estender as nossas definições de posição, velocidade e aceleração para um objeto que se move em duas dimensões (num plano), tratando cada direção independentemente, o que podemos fazer com quantidades vetoriais, decompondo cada uma destas quantidades em componentes.

Princípio Fundamental:

A definição de velocidade como a derivada da posição mantém-se para cada componente separadamente. O movimento em cada eixo pode ser analisado de forma independente.

3.2 Vetores Posição, Velocidade e Aceleração

Vetor Posição

Em coordenadas cartesianas, em que as direções dos vetores unitários não mudam de lugar para lugar, o vetor posição r(t), em relação a uma escolha de origem para o objeto no instante t, é dado por:

r(t) = x(t) î + y(t) ĵ

Vetor Velocidade

O vetor velocidade v(t) no instante t é a derivada do vetor posição:

v(t) = (dx/dt) î + (dy/dt) ĵ = vx(t) î + vy(t) ĵ

onde vx(t) ≡ dx(t)/dt e vy(t) ≡ dy(t)/dt correspondem às componentes da velocidade em x e y, respectivamente.

Vetor Aceleração

O vetor aceleração a(t) é definido de maneira semelhante como a derivada do vetor velocidade:

a(t) = (dvx/dt) î + (dvy/dt) ĵ = ax(t) î + ay(t) ĵ

onde ax(t) ≡ dvx(t)/dt e ay(t) ≡ dvy(t)/dt correspondem às componentes da aceleração em x e y, respectivamente.

Vetor Componente x Componente y
Posição x(t) y(t)
Velocidade vx = dx/dt vy = dy/dt
Aceleração ax = dvx/dt ay = dvy/dt

3.3 Movimento de Projétil

Considere o movimento de um corpo que é libertado no instante t = 0 com uma velocidade inicial v0 a uma altura h acima do solo.

⚠️ Nota sobre Trajetórias:

A trajetória parabólica é uma aproximação que ignora a resistência do ar. A trajetória real pode diferir devido a: resistência do ar, rotação do corpo, forma do objeto (que pode induzir movimento curvo ou sustentação).

Sistema de Coordenadas

Escolhemos coordenadas com:

  • Eixo y na direção vertical, com ĵ apontando para cima
  • Eixo x na direção horizontal, com î apontando na direção do movimento horizontal
  • Origem no ponto onde o objeto é libertado
Condições Iniciais

A decomposição vetorial do vetor de velocidade inicial é:

v0 = vx,0 î + vy,0 ĵ

Quando um corpo é lançado com uma velocidade inicial v0 a um ângulo θ0 em relação à horizontal, as componentes da velocidade inicial são:

vx,0 = v0 · cos(θ0)

vy,0 = v0 · sin(θ0)

v0 = (vx,0² + vy,0²)½

θ0 = tan−1(vy,0 / vx,0)

O vetor de posição inicial tem os componentes:

r0 = x0 î + y0 ĵ

3.4 Análise das Forças e Segunda Lei de Newton

Diagrama de Forças

A única força que atua sobre o objeto é a força gravitacional, entre o objeto e a Terra. Esta força atua para baixo com magnitude m·g, onde m é a massa do objeto e g = 9,8 m/s².

Fgrav = −m·g ĵ

💡 Nota Importante:

Não incluímos a força que conferiu ao objeto a sua velocidade inicial no diagrama de forças. Estamos apenas interessados nas forças que atuam sobre o objeto depois de o objeto ter sido libertado.

Aplicação da Segunda Lei de Newton

A Segunda Lei de Newton afirma que:

Ftotal = m·a

Esta é uma equação vetorial; os componentes são igualados separadamente:

Direção Força Total Aceleração
Eixo y (vertical) Fytotal = −m·g ay = −g
Eixo x (horizontal) Fxtotal = 0 ax = 0

💡 A aceleração é constante e independente da massa do objeto. Note-se que ay < 0 porque escolhemos a direção y positiva para apontar para cima.

3.5 Equações do Movimento de Projétil

As equações finais do movimento são obtidas integrando as equações de aceleração constante.

Eixo x (Horizontal)

x(t) = x0 + vx,0·t

vx(t) = vx,0

ax(t) = 0

Movimento retilíneo uniforme

Eixo y (Vertical)

y(t) = y0 + vy,0·t − ½·g·t²

vy(t) = vy,0 − g·t

ay(t) = −g

Movimento uniformemente variado

Lei de Queda Livre de Galileu:

A Segunda Lei de Newton fornece uma análise que determina que a aceleração, na direção vertical, é constante para todos os corpos, independentemente da massa do objeto.

3.6 Trajetórias Simétricas

Quando temos um lançamento de projéteis, e a trajetória do projétil é simétrica (o projétil parte e chega à mesma altura), podemos usar equações simplificadas para calcular os parâmetros de forma direta:

Tempo de Subida (tempo necessário para alcançar a altura máxima):

tsubida = v0·sin(α) / g

Tempo Total (o dobro do tempo de subida):

ttotal = 2·v0·sin(α) / g

Altura Máxima:

hmax = [v0·sin(α)]² / (2·g)

Alcance (distância horizontal percorrida):

dmax = v0²·sin(2α) / g

📌 Exemplo: Lançamento de Projétil

Problema: Uma bola é lançada com velocidade inicial de 20 m/s a um ângulo de 30° com a horizontal. Determine: (a) o tempo de voo, (b) a altura máxima e (c) o alcance.

Dados:

  • v0 = 20 m/s
  • α = 30°
  • g = 9,8 m·s−2
  • sin(30°) = 0,5 ; cos(30°) ≈ 0,866 ; sin(60°) ≈ 0,866

Solução:

(a) Tempo total:

ttotal = 2 × 20 × 0,5 / 9,8 = 20/9,8

ttotal ≈ 2,04 s

(b) Altura máxima:

hmax = (20 × 0,5)² / (2 × 9,8) = 100/19,6

hmax ≈ 5,1 m

(c) Alcance:

dmax = 20² × 0,866 / 9,8 = 346,4/9,8

dmax ≈ 35,3 m

3.7 Aplicações em Biofísica e Biomecânica

Embora o modelo de projétil (que ignora a resistência do ar) seja idealizado, os conceitos vetoriais da Cinemática Bidimensional são cruciais para a análise de movimentos reais.

🏃 Análise da Marcha e Desempenho
  • Biomecânica do Salto: A decomposição da velocidade inicial é usada para otimizar o desempenho de atletas (lançadores de dardo, saltadores em comprimento)
  • Análise da Queda: Os princípios ax=0 e ay=−g são usados como linha de base para entender a trajetória de queda de um corpo
🩸 Biofísica e Fluidos
  • Movimento de Fluidos: A descrição vetorial é o ponto de partida para a dinâmica de fluidos, essencial para entender o fluxo sanguíneo (Hemodinâmica)
  • Engenharia Biológica: A cinemática é a base para o desenvolvimento de próteses e órteses, onde o movimento humano é decomposto em componentes angulares e lineares

3.8 Resumo das Equações

Grandeza Eixo x Eixo y
Aceleração ax = 0 ay = −g
Velocidade vx = v0·cos(θ) vy = v0·sin(θ) − g·t
Posição x = x0 + v0·cos(θ)·t y = y0 + v0·sin(θ)·t − ½g·t²
Trajetórias Simétricas (x0 = y0 = 0)
Tempo de subida tsub = v0·sin(α) / g
Tempo total ttotal = 2·v0·sin(α) / g
Altura máxima hmax = [v0·sin(α)]² / (2g)
Alcance dmax = v0²·sin(2α) / g
Lei de Hooke e Deformação de Materiais - Entre Ciência e Consciência
04

Lei de Hooke e Deformação de Materiais

🔬 Elasticidade e comportamento mecânico dos materiais

4.1 Definição da Lei de Hooke

Todos os materiais sólidos exibem um comportamento característico quando sujeitos a forças de compressão ou tracção. Quando a relação entre a força aplicada e a deformação do material é linear, diz-se que o material obedece à Lei de Hooke.

Lei de Hooke:

Quando um material elástico sofre uma deformação devido a uma força de tracção ou de compressão, desenvolve-se uma força de pressão (força por unidade de área) que é proporcional à deformação relativa, ou alongamento unitário.

Modelo da Mola Elástica

Podemos usar a analogia de uma mola elástica para compreender o comportamento dos materiais:

  • Estado relaxado (posição x₀): O material está no seu estado normal
  • Sob tensão: O comprimento aumenta quando sujeito a tracção
  • Sob compressão: O comprimento diminui

A Lei de Hooke para uma mola exprime-se matematicamente por:

F = -k·x

onde F é a força aplicada (N), k é a constante elástica (N/m) e x é o deslocamento (m).

💡 Nota:

O sinal negativo indica que a força exercida pela mola é sempre oposta ao deslocamento, tendendo a restaurar o material à sua posição original.

4.2 Stress (Tensão) e Deformação

Num sólido, a força distribui-se pela superfície. A relação entre força e área designa-se por stress ou tensão:

σ = F / A

onde σ (sigma) é o stress (Pa ou N/m²), F é a força aplicada (N) e A é a área da secção transversal (m²).

Deformação Relativa (Strain)

A deformação relativa do material é dada por:

ε = (L - L₀) / L₀ = ΔL / L₀

onde ε (épsilon) é a deformação relativa (adimensional), L₀ é o comprimento original (m), L é o comprimento sob força (m) e ΔL é a variação do comprimento (m).

4.3 Módulo de Young

Para materiais que obedecem à Lei de Hooke, a relação entre stress e deformação é linear:

F/A = Y · (L - L₀)/L₀

σ = Y · ε

onde Y é o módulo de Young (Pa), uma propriedade característica de cada material que indica a sua rigidez.

Valores Típicos do Módulo de Young
Material Módulo de Young (GPa)
Aço 200
Alumínio 70
Osso compacto 15-20
Tendão 0,5-1,5
Borracha 0,01-0,1

4.4 Comportamento Elástico vs. Plástico

A relação linear é válida apenas até um determinado limite. O gráfico stress-deformação identifica diferentes regiões:

Região Linear

Até ao limite de linearidade

  • Relação linear stress-deformação
  • Material obedece à Lei de Hooke
  • Deformação totalmente reversível
Região Elástica Não-Linear

Até ao limite elástico

  • Relação não é linear
  • Material volta ao estado original
  • Deformação ainda reversível
Região Plástica

Após o limite elástico

  • Deformação permanente
  • Não volta à forma original
  • Deformação irreversível

4.5 Resiliência

Até ao limite elástico, a deformação é reversível, mas a relação entre stress e deformação não é a mesma quando o material volta ao formato original. Esta propriedade chama-se resiliência.

💡 Resiliência:

A área entre as curvas de carregamento e descarregamento representa a energia térmica dissipada durante o processo. Esta energia manifesta-se como calor e é responsável pelo aquecimento do material durante ciclos repetidos de deformação.

Aplicações Biológicas da Resiliência
  • Tendões e ligamentos: Dissipam energia durante o movimento, protegendo as articulações
  • Vasos sanguíneos: A elasticidade das artérias absorve a pressão do batimento cardíaco
  • Discos intervertebrais: Amortecem impactos na coluna vertebral

4.6 Exemplo: Tracção de um Fio de Aço

Problema: Um fio de aço com área de secção transversal de 2,0 mm² e comprimento de 1,0 m é sujeito a uma força de tracção de 400 N. Sabendo que o módulo de Young do aço é 200 GPa, calcule:

  1. O stress no fio
  2. A deformação relativa
  3. O alongamento do fio
📌 Resolução:

Dados:

  • Área: A = 2,0 mm² = 2,0 × 10-6
  • Comprimento inicial: L₀ = 1,0 m
  • Força: F = 400 N
  • Módulo de Young: Y = 200 GPa = 2,0 × 1011 Pa

a) Stress:

σ = F/A = 400 / (2,0 × 10-6) = 2,0 × 108 Pa = 200 MPa

b) Deformação relativa:

ε = σ/Y = (2,0 × 108) / (2,0 × 1011) = 0,001 = 0,1%

c) Alongamento:

ΔL = ε × L₀ = 0,001 × 1,0 = 0,001 m = 1,0 mm

Resposta: O fio sofre um stress de 200 MPa, uma deformação relativa de 0,1% e alonga-se 1,0 mm.

4.7 Aplicações Biológicas

Muitos tecidos biológicos exibem comportamento elástico dentro de certos limites:

  • Ossos: Suportam cargas compressivas e resistem à flexão
  • Tendões: Transmitem forças dos músculos aos ossos
  • Ligamentos: Conectam ossos e estabilizam articulações
  • Cartilagem: Absorve choques e permite movimento suave
  • Pele: Permite movimento e retorna à forma original
Limitações em Sistemas Biológicos
⚠️ Importante:

A maioria dos tecidos biológicos não obedece perfeitamente à Lei de Hooke porque são:

  • Anisotrópicos (propriedades diferentes em diferentes direcções)
  • Viscoelásticos (comportamento depende da taxa de deformação)
  • Não-lineares (relação stress-deformação não é linear em toda a gama)
  • Sofrem fadiga com ciclos repetidos
Factores que Afectam a Elasticidade
  • Idade: Tendões e ligamentos tornam-se menos elásticos com a idade
  • Temperatura: A elasticidade varia com a temperatura
  • Hidratação: O conteúdo de água afecta as propriedades elásticas
  • Composição: A proporção de colagénio e elastina influencia a elasticidade
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Hidrostática

🎬 Fluidos, pressão, Lei de Pascal e Princípio de Arquimedes

4.1 Introdução – Fluidos

A água está em toda a parte, cobrindo 71% da superfície da Terra. O conteúdo de água de um ser humano pode variar entre 45% e 70% do peso corporal. A água pode existir em três estados da matéria: sólido (gelo), líquido ou gasoso.

Na linguagem comum, o termo fluido é usado para descrever o estado líquido da matéria, mas em rigor, um fluido é qualquer estado da matéria que flui quando há uma tensão de cisalhamento aplicada. A água, tanto no estado líquido quanto gasoso, é classificada como fluido para distingui-la do estado sólido.

Definição:

A viscosidade de um fluido é uma medida da sua resistência à deformação gradual por tensão de cisalhamento ou tensão de tracção.

4.2 Densidade

A densidade de uma pequena quantidade de matéria é definida pela quantidade de massa ΔM dividida pelo volume ΔV desse elemento de matéria:

ρ = ΔM / ΔV

A unidade SI para a densidade é o quilograma por metro cúbico [kg/m³]. Se a densidade de um material é igual em todos os seus pontos, então a densidade é simplesmente:

ρ = M / V

Um material com densidade constante é chamado de material homogéneo. Para um material homogéneo, a densidade é uma propriedade intrínseca. Se dividirmos o material em duas partes, a densidade será a mesma para ambas:

ρ = ρ1 = ρ2

Contudo, a massa e o volume são propriedades extrínsecas do material:

M = M1 + M2      V = V1 + V2

Material Densidade, ρ [kg/m³]
Hélio 0,179
Ar (ao nível do mar) 1,20
Esferovite 75
Madeira 0,7 × 10³
Etanol 0,81 × 10³
Gelo 0,92 × 10³
Água 1,0 × 10³
Água do mar 1,03 × 10³
Sangue 1,06 × 10³
Alumínio 2,7 × 10³
Ferro 7,87 × 10³
Cobre 8,94 × 10³
Chumbo 11,34 × 10³
Mercúrio 13,55 × 10³
Ouro 19,32 × 10³
Plutónio 19,84 × 10³
Ósmio 22,57 × 10³

4.3 Pressão num Fluido

Quando uma força de cisalhamento é aplicada à superfície de um fluido, este flui. Quando um fluido está estático, a força em qualquer superfície dentro do fluido deve ser perpendicular (normal) a cada lado da superfície. Esta força deve-se às colisões entre as moléculas do fluido de um lado da superfície com as moléculas do outro lado.

Considere uma pequena parte de um fluido estático. A porção do fluido é dividida em duas partes (regiões 1 e 2) por um pequeno elemento de superfície S de área AS. A força na superfície da região 2, devido às colisões entre as moléculas das duas regiões, é perpendicular à superfície:

F1,2(S) = −F2,1(S)

A magnitude das forças que formam esta interacção é:

F(S) = |F1,2(S)| = |F2,1(S)|

Definição de Pressão:

A pressão num ponto da superfície S é definida como:

P = F(S) / AS

ou, mais rigorosamente, como o limite quando AS → 0.

A unidade SI para a pressão é [N/m²] e é chamada de pascal (Pa).

4.4 Pressão Atmosférica

A pressão atmosférica num ponto é a força por unidade de área exercida numa pequena superfície contendo aquele ponto, pelo peso do ar acima dessa superfície. Quanto mais alto estivermos, menos massa atmosférica haverá acima de nós, pelo que a pressão atmosférica diminui com o aumento da elevação.

Em média, uma coluna de ar de um centímetro quadrado de secção transversal, medida do nível do mar ao topo da atmosfera, tem uma massa de cerca de 1,03 kg, exercendo uma força de aproximadamente 10,1 N.

Atmosfera Padrão:

1 atm = 1,01325 × 105 Pa = 1,01325 bar

A altura de uma coluna de mercúrio equivalente a 1 atm é de 760 mm. Se fosse feito com água, a coluna teria 10 m.

Pressão atmosférica em função da altitude

A pressão atmosférica média P varia em função da altitude h:

P = 1,01325 × 105 × (1 − 2,26 × 10−5 × h)5,255

4.5 Lei de Pascal

Consideremos um fluido estático com densidade uniforme ρ. Escolhemos um sistema de coordenadas tal que o eixo do z tem sentido positivo de cima para baixo, com z = 0 na superfície do fluido. Um elemento de volume cilíndrico infinitesimal a uma profundidade z, com área de secção A e espessura dz, tem:

Volume: dV = A·dz      Massa: dM = ρ·A·dz

A força gravítica que atua no cilindro é Fg = ρ·A·dz·g, no sentido positivo de z. Aplicando a segunda Lei de Newton (soma de forças = 0 para fluido estático), na direcção +z:

F(z) − F(z + dz) + ρ·A·dz·g = 0

Dividindo por A:

P(z) − P(z + dz) + ρ·dz·g = 0

Reformulando e fazendo o limite dz → 0, obtemos a equação diferencial:

dP/dz = ρ·g

Integrando entre a superfície (z = 0) e uma profundidade z:

Lei de Pascal:

P(z) − P(z = 0) = ρ·g·z

É importante referir que a pressão exercida por um líquido incompressível só depende da altura (ou profundidade) h, da densidade do líquido ρ, e da aceleração da gravidade g. A pressão não depende da área do recipiente!

Pressão total num líquido incompressível

Considerando também a pressão atmosférica, a pressão total é:

Ptot = ρ × g × h + Patm

Tubo em forma de U
Tubo em forma de U com dois líquidos imiscíveis

Considerando um tubo em forma de U com dois líquidos imiscíveis (como água e azeite), segundo a Lei de Pascal, as pressões calculadas nos dois ramos são iguais:

ρ1 × g × h1 + Patm = ρ2 × g × h2 + Patm

Após simplificação:

ρ1 × h1 = ρ2 × h2

Aplicação: Prensa Hidráulica
Prensa hidráulica

Para um sistema hidráulico com dois pistões de áreas A1 e A2, desprezando a diferença de alturas:

P = F1/A1 = F2/A2  ⇒  F2 = (A2/A1) × F1

O volume de óleo deslocado num lado é igual ao deslocado no outro, portanto:

A1 × h1 = A2 × h2  ⇒  h2 = (A1/A2) × h1

4.6 Exemplos Resolvidos

📌 Exemplo 1: Pressão numa coluna de água

Problema: Calcule a pressão parcial de uma coluna de água com 10 metros de altura.

Dados: ρ = 998 kg/m³, h = 10,0 m, g = 9,81 m/s²

Solução:

P = ρ × g × h = 998 × 9,81 × 10,0 = 97 900 Pa

📌 Exemplo 2: Pressão no oceano

Problema: Qual é a diferença de pressão entre a superfície do oceano e uma profundidade de 4 km?

Dados: ρ = 1,03 × 10³ kg/m³, z = 4 × 10³ m, g = 9,8 m/s²

Solução:

P(z) − P(z = 0) = ρ·g·z = (1,03 × 10³)(9,8)(4 × 10³) = 40 × 106 Pa

📌 Exemplo 3: Identificação de um fluido

Problema: Um líquido com massa 10,0 kg é colocado num recipiente cilíndrico com área de secção 100 cm² e altura 7,35 cm. a) Qual é a densidade? b) Pressão parcial no fundo? c) Pressão total em Coimbra?

Solução:

a) A = 100 cm² = 0,0100 m²; V = 0,0100 × 0,0735 = 0,000735 m³

ρ = m / V = 10,0 / 0,000735 = 13 600 kg/m³ (mercúrio)

b) Pparcial = ρ·g·h = 13 600 × 9,81 × 0,0735 = 9 810 Pa

c) Ptotal = 9 810 + 100 127,4 = 109 937,4 Pa

📌 Exemplo 4: Tubo em U (água e azeite)

Problema: Um tubo em U com 1,00 cm² de secção contém 24,0 cm³ de água e 12,0 cm³ de azeite. ρágua = 998 kg/m³, ρazeite = 840 kg/m³. a) Altura do azeite? b) Diferença de alturas?

Solução:

a) h2 = Volume / A = 12,0 / 1,00 = 12,0 cm

b) ρ1 × h1 = ρ2 × h2 ⇒ h1 = (840 × 12,0) / 998 = 10,1 cm

h2 − h1 = 12,0 − 10,1 = 1,9 cm

4.7 Princípio de Arquimedes

Quando colocamos um pedaço de madeira maciça na água, a madeira flutua na superfície. No entanto, objectos como navios, construídos a partir de materiais como o aço (muito mais denso do que a água), também flutuam. Em ambos os casos, existe uma força que equilibra a força gravitacional: a impulsão.

Considere um fluido estático com densidade uniforme ρf e um elemento de volume arbitrário V com massa mf = ρf·V. A força gravitacional é Fg = ρf·V·g (descendente). A impulsão I deve criar equilíbrio:

I + Fg = 0  ⇒  I = ρf·V·g (ascendente)

Princípio de Arquimedes:

Qualquer objecto mergulhado num fluido está submetido a uma força, de baixo para cima, igual ao peso do fluido deslocado pelo objecto.

Fres = (ρobjecto − ρfluido) × g × V

Condição Força Resultante Comportamento
ρobj > ρfluido Positiva (para baixo) O objecto afunda
ρobj = ρfluido Nula O objecto permanece à superfície
ρobj < ρfluido Negativa (para cima) O objecto eleva-se
📌 Exemplo: O Iceberg

Problema: Qual a percentagem de um iceberg que está submersa?

Dados: ρágua = 1 g/cm³, ρgelo = 0,92 g/cm³

Solução: No equilíbrio, o peso do iceberg iguala o peso da água deslocada:

ρgelo × Vtotal × g = ρágua × Vsubmerso × g

Vsubmerso / Vtotal = ρgelo / ρágua = 0,92 / 1,00 = 92%

Ou seja, aproximadamente 92% do iceberg está submerso, e apenas cerca de 8% é visível acima da superfície.

Exercícios e Problemas

Pratica os conceitos com problemas resolvidos e exercícios propostos.

Hidrostática

Série de Exercícios 1

10 problemas sobre pressão, densidade e princípios de Pascal e Arquimedes.

📄 PDF ✓ Com soluções
Termodinâmica

Série de Exercícios 2

12 problemas sobre temperatura, calor e leis da termodinâmica.

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Eletrofisiologia

Série de Exercícios 3

8 problemas sobre potenciais de membrana e propagação de sinais.

📄 PDF ✓ Com soluções
Geral

Exames Anteriores

Coleção de exames de anos anteriores com resoluções detalhadas.

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Recursos Adicionais

Links úteis, bibliografia recomendada e ferramentas para aprofundar o estudo.

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